blog caliente.

1.6.06

Vai indo que eu vou lá ter

Morreu o Bastos, com 55 anos, muito novo.
Era um zagueirão duro. Não encontrei nenhuma fotografia no google, senão punha aqui. Face dura, beiça fina, olhos de sobrancelha.

O meu Pai é que me disse, uma vez, em Guimarães, eu ali perdido no meio daquilo tudo: "Este é o Peres, aquele é o Yazalde, estás a ver? O Dé está no banco. Olha agora o Bastos: por este é que eles não podem passar".
E não passaram.

A minha lembrança desse jogo é vaga, muito aparvalhada. Estava com o meu Pai.

E, desses que eu vi, já morreram o Yazalde, o Damas e, agora, o Bastos. Não sei se morreu mais algum, não me lembra agora.

Eu sei que se morre todos os dias, eu sei disso tudo, mas deixem-me sentir um bocadinho mais a morte das pessoas que vi. Nem que fosse só uma vez na minha vida e ao longe, da bancada, ao pé do meu Pai, sempre preocupado em saber se eu e o meu irmão (que era ainda mais miúdo do que eu) víamos bem a bola e as jogadas todas, por detrás de quem estava à nossa frente, e está sempre alguém à nossa frente, geralmente de pé, para ver melhor do que veria se estivesse doutra forma.
De facto, acho que ninguém está de pé, à nossa frente, para ver melhor que nós. Não é por isso, não é por mal.

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