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23.6.07

Ponho um sinal e os Acores são a çores

No hóquei em patins andamos agora a discutir com a França quintos lugares. Não é mau.

Um dos meus irmãos, que é delegado de informação médica e vive bastante bem a vida dele - aliás, sempre que me encontra no hospital e me vê angustiado com uma coisa qualquer, não resiste a lançar-me um "andas cansado, é?, olha!, estudasses!" -, telefonou-me de manhã com uma duvida metódica. Queria saber como se chamava o guarda-redes de hóquei do Sporting, naquela altura em que a selecção nacional era o Sporting mais o Jorge Vicente. Era o Garrancho, o Júlio Rendeiro (não confundir com o José Júlio Couceiro), o Chana, o Livramento...
Era o Ramalhete, o guarda-redes. Que, aliás, era benfiquista. Dizem os benfiquistas. E ele, se calhar, mas na altura não se dava fé disso, andava caladinho, o cara de cu à paisana.

O hóquei é um desporto alternativo. Pratica-se em Portugal e em pequenas partes doutros países. No Brasil é algures no Maranhão, na Espanha é na Galiza e na Catalunha, em Itália parece que há um clube, que é o Novara, na Argentina parece que o River Plate tem uma secção de hóquei (mas também não consegue empandeirar o Toranzo, de maneira que não interessa), na Suíça há o Montreux (gosto mais do Neuchatel Xamax, mas não tem hóquei) e nos outros países não sei muito bem, acho que jogam hóquei os tipos que não servem para mais desporto nenhum.
A verdade é que só cá, na Lusitânia, o hóquei se constitui como desporto nacional. Caramba, eu dou o exemplo dos EUA: os tipos nem patinar sabem, quanto mais manejar um aléu!

Assim sendo, é perturbador que andemos agora a lerpar com suíços (que são muito parolos, acima de tudo são parolos, mesmo o Roger Federer, é preciso dizer isto, porque se o Federer não fosse um parolo não era suíço - e já tinha enfiado com dezoito tijolos raspados nas ventas do Nadal) e a discutir quintos lugares com franceses (que nem o marido da Ségolène sabe que há uma coisa chamada "ôquêsiurpatân").

Mas a melhor estória do hóquei nem é esta. Há muitas, há sempre muitas estórias sobre quase tudo, aliás o Batista-Bastos é o expoente máximo desta maximização do mínimo, há-as também do hóquei.
A melhor é esta. Um dia, vai para entrar o Picas a substituir o Leste (que também vegetou no Benfica antes de deixar a Luz para poder vê-la), e diz o relatador, cujo nome não recordo, que "vai entrar o Piças".

Isto prova à saciedade, à sociedade, à suciadade inteira, o seguinte: há quem escreva consoante fala, ou mais ou menos isso, mas também há quem fale consoante escreve - a culpa, mesmo fonética, é sempre do teclado.

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