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4.12.06

Natais

O post do besugo, arrevezado como ele, lembrou-me os meus Natais de infância. Ou a infância dos meus Natais.

Foram sempre - e ainda são, mas só nos anos ímpares - passados na Beira Alta, não tão alta como Lamego (que era de onde eu ia), mas alta na mesma.

Também a esses Natais iam lisboetas, Tios e primos. E outros, que não eram nem meus tios nem meus primos, mas que eram tios, ou primos, ou avós, dos meus tios e primos.

Guardo desses Natais calorosas recordações. Eram, sobretudo, encontros. O frio, a lareira, a missa do galo (também havia quem fosse e quem não fosse), as prendas, o deitar tarde.

Se calhar também havia conversas tontas, e quem se incomodasse com elas. Mas, se as havia, passava-me ao lado.

Nos meus Natais de hoje, já identifico as conversas tontas. E até me chateio com elas, se além de tontas forem chatas. Mas faço o que posso para que os meus filhos sintam o que eu senti. E levo-os à missa do Galo. Porque o Natal, por mais consumistas que sejamos, perde muito do seu sentido se não for - também - a comemoração do nascimento do "menino Jesus". Do nascimento, todos os anos, de uma promessa de renovação, fundada em amor. De redescobrir inocências que temos até vergonha, quantas vezes, de admitir.

Sem isso, sem algo mais do que as prendas e o (re)encontro familiar, o Natal acaba com uma secura na boca. Foi-se, cumpriu-se. Deitemos ao lixo os papeis de embrulho e arrumemos a casa.

Mais ou menos como os "reveillons" encomendados, cheios de confettis. Em que se convenciona que devemos abrir champagne e mostrar grande contentamento. "Yesss, mudámos de ano! Fantástico !!!"

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