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18.1.06

Estrangeiros

Um sérvio encontrou um lapão, que mascava um coirato numa esplanada, e perguntou-lhe:
- Olha, ó lapão: tu não és aquele lapão que costumava contar anedotas sobre deficientes, rindo alarvemente?
- Sou - respondeu o lapão ajeitando-se dentro de si e por fora, mas pouco, do coirato. - E tu não és aquele sérvio que também se ria das minhas anedotas?
- Sou. Quando as contavas bem. Mas olha: tu agora estás como presidente da junta dos deficientes por causa de seres um gajo com piada ou por outra coisa qualquer?
- Não. Estou lá porque estou.
- Ah! Pronto, então.
- Não é "pronto, então"! Eu sempre me senti um defensor de causas!
- Mas tu ficaste famoso, em tempos, por abandonar amigos em apuros, lapão. Desde os tempos da universidade. A tua maior causa era, segundo sei de fonte luminosa, o "dar de frosques"...
- Esses eram amigos não deficientes. Lá está. Eu defendo causas, mas não defendo as causas todas. Por exemplo, se houver molho eu retiro-me, que sou civilizado. Mas defendo causas, ora.
- Defendes só as tuas?
- Não, estúpido. Por exemplo, agora defendo as deles. Mas eles são deficientes, portanto tenho de me defender deles, não entendes que eu só gosto deles na medida exacta do meu gosto por mim e pelo meu seboso harpeiro?... Olha, tu és parvo. Nunca passarás de sérvio.
- Nem tu de lapão. Bom apetite para o resto de coirato que estás a mascar.

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